Ainda respirando o Oscar 2009 o 19º CINESURPRESA que foi no Espaço Unibanco teve como opções dois filmes que possuíam indicações para o Oscar: O Casamento de Rachel e MILK. Milk – A Voz da Igualdade foi escolhido por unanimidade pelos 9 integrantes da noite que deram uma nota média de 8,6 para o filme fazendo com ele ficasse empatado em nosso ranking com o filme Piaf em 6 lugar (veja nosso ranking na coluna da direita) . Das 9 pessoas todas gostaram do filme mas, uma disse que não o veria novamente. Veja o vídeo deste nosso encontro no final deste post ou clicando aqui.
MILK é baseado em fatos reais, em tristes fatos reais, que mostram abertamente o lado preconceituoso da sociedade e das pessoas. Preconceito este, no caso do filme, pelos homossexuais, mas que em vários momentos deixa claro o que também existe em relação aos negros, deficientes, asiáticos, judeus etc.
Adorei o filme! Não conhecia a história de Harvey Milk e nem destes acontecimentos. Saí de lá realmente chocada com a possibilidade, real, de um dia alguém ter proposto uma lei dizendo que o homossexualismo seria ilegal, que todos os homossexuais deveriam ser despedidos e menosprezados e tudo isso com o aval da lei. O pior é saber que em algumas instâncias essa lei foi aprovada. Foi contra isso que Harvey Milk lutou contra este tipo de preconceito.
Esse filme fez como que eu colocasse uma questão a mais para os participantes: Como você vê o preconceito contra os homossexuais hoje? Ainda existe? É forte? Mais ameno? Encerrarei este texto com estas respostas.
Acredito que não tenha no meu círculo de amigos pessoas com esse pensamento pequeno e se tiver, sem saber, sinto vergonha por elas, por existirem pessoas assim com tantos preconceitos contra homossexuais, nordestinos, pobres, negros, deficientes, judeus, asiáticos etc e até contra mulheres (já fui vítima de alguns preconceitos por este motivo).
Bem, vamos o filme. Milk começa mesclando fatos reais sobre os acontecimentos da época e sobre a sua morte. Isso continua em vários momentos do filme, o que faz com que a carga de realidade seja mais forte e tudo choque mais. Quem conta a história é o próprio Harvey Milk através de uma gravação — que ele realmente fez e você poderá ouvir a original aqui.

Nosso grupo era composto por: André Hermes, André Leite, Caio, Durval Moretto, Fabio Machado, Glauce Guimarães, Ricardo Reis, Victor Martim e eu, Márcia Okida.
O Melhor e o Pior em MILK
O Pior
André Hermes: mostou pouco sobre o quanto a igreja alertava sobre a discriminação • André Leite: o ritmo oscilante do filme • Caio: ausência total das mulheres na causa gay, apesar de aparecer uma para ser militante de MIlk • Durval: o recalque leva as pessoas a cometerem loucuras • Fabio: o excesso de drama em vários momentos • Glauce: o ritmo do filme muito lento • Ricardo: nada • Victor: o abuso dos clichês gays em alguns momentos.
O Melhor
André Hermes: foi a representação das pessoas apoiando e deixando de se esconder • André Leite: a atuação de Sean Penn, impecável. • Caio: quando mostra no filme o poder de estruturação de um movimento gay. Quando conseguem chamar a atenção e conquistar a sociedade • Durval: a união é capaz de modificar a vida das pessoas para melhor • Fabio: interpretação dos atores, Sean Penn, Josh Brolin e James Franco. Trilha Sonora • Glauce: a vitória do movimento gay depois de várias tentativas, alcançaram o objetivo • Ricardo: o filme todo! • Victor: sem dúvidas: o tema abordado.
Eu realmente gostei muito do filme, não vejo defeitos. Gostei do ritmo, da proposta enfatizaria, tecnicamente falando, a direção de arte, figurinos e trilha sonora. E sem ser pelo lado técnico é sempre bom ver um filme que aborde qualquer tipo de preconceito para que, quem sabe um dia, eles acabem definitivamente.
Você se identificou com algum personagem?
André Hermes: com o primeiro namorado do Milk pois é uma pessoa que apóia os movimentos mas não toma a liderança • André Leite: sim, com o prefeito por ter a mente aberta a novas possibilidades • Caio: sim, com o prefeito de São Francisco, um dos poucos personagens heterossexuais que não demonstrou ser homofóbico. Em momentos usou seu poder de influência a favor do movimento gay • Durval: com Milk • Fabio: nenhum em especial • Glauce: não • Ricardo: com Harvey Milk, pela coragem, o fio condutor da vida, a esperança de igualdade também foi a sua morte • Victor: não.
Qual o melhor figurino na sua opinião?
André Hermes: quase todos os figurinos se identificam muito com os personagens, mostra como os gays assumidos se vestiam • André Leite: nenhum não gosta da moda dos anos 70 • Caio: o traje hippie na primeira aparição do personagem de James Franco • Durval: do assassino, sempre com roupas sóbrias e formais • Fabio: gostei do figurino no geral fiel a atmosfera da época • Glauce: do Harvey… básico, camiseta e cala jeans • Ricardo: camiseta do 1º namorado de Milk, bem justinha • Victor: gostei de todos muito adequados à época em que o filme passa.
Bem eu me identifiquei com Milk, firme em seu propósito, em sua luta por aquilo em que acreditava, teimoso até o fim… e pelo desprezo que ele sentia por qualquer tipo de preconceitos.
Figurino? O conjunto é perfeito, já disse acima que acho um dos pontos positivos do filme mas gosto da passagem de estilo do figurino de Harvey Milk desde antes de sua entrada na política até seu novo make-up para a sua luta em busca de votos.
Uma frase sobre o filme e uma cena
• André Hermes: necessário todos assistirem para diminuir o preconceito atual • cena: cena em que Milk leva a multidão para caminhar pelas ruas.
• André Leite: não importa a idade, basta você acreditar e lutar pelo que acredita • cena: quando um garota entrega um panfleto para Milk e está escrito “união e esperança”.
• Caio: peço a todos os homossexuais que saiam do armário • cena: cenas de passeatas e marchas de protestos
• Durval: “eu vim convocar vocês” • cena: a cena do assassinato, uma metáfora sobre a Tosca
• Fabio: a esperança supera preconceitos e manobras políticas • cena: a morte de Harvey Milk.
• Glauce: tenham esperança… • cena: todas com a atuação do Sean Peen, estão perfeitas.
• Ricardo: esperança para a minoria! • cena: todas!!!
• Victor: ótimo filme com temática interessante • cena: a cena da passeata, da luta em defesa das minorias
Minha frase: “Dar ouvidos à preconceitos é renunciar à liberdade.”
Minha cena? difícil são muitas que me chamaram a atenção. Como designer gosto de todos que mostram cartazes e panfletos mas principalmente quando ele fez seu primeiro “discurso” pegando uma caixa de sabão e a usando como palanque. Como pessoa fiquei extremamente tocada com a beleza e simplicidade da cena de sua morte e a passeata final com aquelas milhares de velas a cena do filme se fundindo com a real.
Abaixo atores do filme ao lado das pessoas que eles representaram
Sobre a pergunta do início motivada pelo filme:
Como você vê o preconceito contra os homossexuais hoje? Ainda existe? É forte? Mais ameno? o que nossos participantes surpresas pensam disso? Deixa aqui também a sua opinião.
• André Hermes: Hoje ainda existe preconceito mas ele é muito mascarado, pois hoje tem leis que protegem. Mas hoje esse preconceito é bem menos que na década de 70.
• André Leite: entre os anos 70 e 90, o preconceito pode ter diminuído, mas ainda é latente em nossa sociedade.
• Caio: Os gays ainda sofrem discriminação sim. São vistos como doentes, errados no que são. Mas isso nos dias de hoje não é tão forte como na época do filme (década de 70)
• Durval: Sim, ainda existe preconceito contra os homossexuais, embora tenham conquistado seu espaço.
• Fabio: Sem dúvidas houveram avanços significativos, mas o preconceito ainda persiste em diversos segmentos da sociedade.
• Glauce: O preconceito existe tanto para os gays, negros… mas, com muitas evoluções, pois, em 1978 não tinham espaço para discutir o assunto.
• Ricardo: Infelizmente ele ainda existe! Quem sabe daqui há uns 20 anos não exista mais.
• Victor: Atualmente o preconceito existe sim por parte da sociedade mundial. Aos poucos porém, os homossexuais vêm ganhando seu espaço.
A minha opinião é todo e qualquer tipo de preconceito é burro, é fruto da ignorância da pobreza de espírito. Sendo preconceituosos perdemos a chance de conhecer novas idéias, culturas e pessoas. Deixamos de crescer, de evoluir. Nos tornamos mais pobres, mesquinhos, nos tornamos menos, sempre menos em tudo que temos em nosso corpo e alma, daí as guerras, os assassinatos, os atos absurdos como queimar índios, surrar homossexuais, bater em mulheres etc. Infelizmente o preconceito existe em várias áreas e acho que o mundo, as pessoas, ainda precisam evoluir muito para que isso acabe. E se um dia acabar, tenho certeza de como Márcia Okida não estarei aqui neste mundo para ver e ficar feliz com isso, quem sabe em alguma reencarnação futura.
E você? O que acha do preconceito de qualquer tipo? Escreva para gente clicando aqui
Um pouco mais de MILK, agora um pouco de Design. Escrevi um artigo para uma revista de design sobre os créditos de aberturas, encerramentos e suas tipografias, dos filmes que concorriam ao Oscar 2009. MILK tem um conjunto tipográfico muito bom, desde sua abertura até os panfletos políticos que eles fez e distribuiu em sua campanha. Quer ler sobre o que escrevi da tipografia de MILK clique aqui e se quiser ler sobre as todas as aberturas de todos os filmes, aqui. Sem falar no cartaz. Gosto mais deste do que o que abre este artigo. Mas, gosto da metade para cima. A parte debaixo está poluída demais com muitos créditos quase ilegíveis por estarem esticados, sem falar que ocupam muito da imagem tirando a força do restante do seu corpo. A presença do azul é sempre marcante mesmo no cartaz branco, já que é a cor de sua campanha e tem tudo a ver com a proposta da busca pela igualdade. Letras retas, fálicas, marcantes totalmente condizentes com a personalidade de Harvey Milk.











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