Chegamos ao 20º CINESURPRESA em grande estilo. Um grande filme que emocionou e tocou a todos os participantes, e não participantes também. Acontece que recebi algumas mensagens de amigos que viram esse filme e, quando souberam que ele havia sido o filme deste encontro, trataram de falar o quanto gostaram de Gran Torino.
Gran Torino, de Clint Eastwood, foi o filme da vez neste 20º encontro com a participação de 9 pessoas. Pela primeira vez em um cinesurpresa: Jurandir Pereira Filho e Guilherme Araújo Nascimento que se juntaram a: Deborah Okida, Eddie Santana, Eduardo Ricci, Fábio Machado, Letícia Cheneme, Madeleine Alves e eu.
Todos gostaram do filme e o veriam novamente. A nota geral de Gran Torino foi 9,5 ficando em 3º lugar no nosso ranking (veja o quadro ao lado), ficando atrás apenas de Wall-E (10) e Persépolis (9,6).
Muitos dos assuntos abordados no filme foram temas do nosso bate-papo pós cinema, mas uma das questões foi adicionada ao que todos normalmente respondem em nossa pequena pesquisa feita ao final do filme: Você se mataria por algo ou por alguém? (veja aqui o que os participantes respondem ao final do encontro). A resposta de cada participante a esta pergunta você encontra no final.
Gran Torino me pegou de jeito, de um jeito que poucos filmes me pegam, ou fazem com que eu perca o sono e fique por dias com as imagens e assuntos abordados. Esteticamente perfeito, na minha opinião, nada demais nem de menos. Direção de fotografia primorosa e uma trilha sonora que eu já tinha amado antes mesmo de conhecer o filme — é que vi muito antes um vídeo clipe da trilha sonora. Você pode conhecer a música no vídeo logo abaixo, mas vale a pena mesmo você clicar neste link e ouví-la na voz de Clint Eastwood para somente depois entrar a voz de Jamie Cullum.
Um roteiro que sabe ir prendendo as pessoas aos poucos, tratando de temas sociais importantes passando pelo drama, momentos de comédia, romance, ação, tudo em perfeito equilíbrio e o principal, nos faz pensar, ou deveria fazer com que todas as pessoas pensassem ou repensassem, em seus conceitos, modos de ver, olhar a sociedade e seu próprio modo de ver e viver a vida. Pensar sobre a vida e a morte. Como se vive e como se morre.
Por isso tudo que já falei é fácil saber que em relação a pergunta que sempre fazemos do que foi o pior no filme, a minha resposta seria: nada, nada de ruim de errado, nada falta. Minha nota foi 10. Mas e na visão dos outros participantes o que foi melhor e pior no filme? Qual a nota de cada um? Com quem se indentificou? Qual o melhor figurino?
Deborah – Nota: 10
Pior: sobre o filme (parte técnica) nada, mas sobre a história a questão do preconceito social.
Melhor: os diálogos são muito bons e inteligentes
Personagem: não me identifiquei com nenhum personagem.
Figurino: o figurino tradicional Hmong, mostrado nos trajes chineses de festa e funeral.
Eddie – Nota: 8
Pior: a violência e a intolerância da sociedade.
Melhor: os valores humanos mostrados no filme.
Personagem: me identifiquei com Walt (Clint Eastwood) pois era fiel aos seus princípios e soube se adaptar aos novos tempos.
Figurino: nenhum.
Eduardo – Nota: 10
Pior: o preconceito entre etnias.
Melhor: a interpretação de Clint Eastwood.
Personagem: com Walt (Clint Eastwood).
Figurino: de Walt (Clint Eastwood).
Fábio – Nota: 9,5
Pior: não vi nada de negativo.
Melhor: roteiro, atuação, trilha sonora, direção…
Personagem: com Thao, por ser um cara meio perdido que vai evoluindo e aprendendo com a vida.
Figurino: nenhum em especial.
Guilherme – Nota: 9,0
Pior: a morte previsível de Walt (Clint Eastwood).
Melhor: a mudança no comportamento de Walt (Clint Eastwood).
Personagem: sim, com Walt (Clint Eastwood). Ele fazia aquilo que as pessoas instintivamente querem fazer e dizer.
Figurino: o de Thao. Ele se vestia de maneira simples e isso era condizente com sua personalidade.
Jurandir – Nota: 10
Pior: a covardia da gangue.
Melhor: a mudança, mesmo que tardia e sem volta dos sentimentos do personagem principal.
Personagem: Thao. Não pela parte de “ser mulherzinha”, mas um cara pacato, tranquilo, as vezes sem a “iniciativa correta”.
Figurino: o dos irmãos indo ao velório, não que seja bonito mas mostra a tradicionalidade da família.
Letícia – Nota: 10
Pior: a relação entre o pai e seus filhos que mesmo com sua morte não tiveram uma outra forma de ver o pai.
Melhor: a amizade entre Thao e o Walt (Clint Eastwood).
Personagem: com a irmã de Thao, pois ela não se deixa abalar pelo mau humor de Walt (Clint Eastwood) e tornou-se sua amiga.
Figurino: não respondeu.
Madeleine - Nota: 9,0
Pior: a projeção
Melhor: os diálogos (que, por muitas vezes, a legendagem não conseguiu alcançar, apesar de sua excelência), a atuação de Clint Eastwood e o uso da trilha sonora nos momentos certeiros.
Personagem: com ninguém.
Figurino: os figurinos típicos Hmong, pois representam a resistência de uma cultura mesmo diante de um outro contexto social.
Márcia Okida: me identifiquei com o filme todo, não apenas com uma personagem.
Como não se identificar com Walt e a sua força, luta e coragem de ir contra suas opiniões antigas e, com isso lutar, contra preconceitos e desigualdades sociais?
Como não se identificar com a irmã de Thao, Sue, que mesmo sendo vista e tratada como minoria em seu bairro, lutava pelo que acreditava e contra o preconceito racial?
Como não se identificar com Thao que ao descobrir a amizade verdadeira de Walt, muda, cresce, luta pelo que acredita?
Como não se identificar com os chineses Hmong que mantêm suas tradições milenares e união familiar?
Como não se identificar até com um carro, o Gran Torino, que mesmo depois dos avanços da indústria automobilística permanece, resiste graças a dedicação de um homem?
Muito particularmente me vi na cena da leitura do testamento onde um carro era o maior objeto de desejo dos vivos, mas não pelo valor emocional mas pelo valor financeiro. Triste como as pessoas esquecem do que é realmente importante na vida e na morte.
Quanto ao figurino fico com a opinião de alguns: com as roupas tradicionais da aldeia Hmong na China.
Uma frase e uma cena:
Deborah: “valores e sentimentos todos nós temos. Só precisamos despir as máscaras, abrir o coração e deixar a alma falar” • cena dos irmãos descendo a escada da entrada da casa com os trajes para a cerimônia fúnebre e a última cena de Thao no carro pela orla e a música trilha do filme ao fundo.
Eddie: “um filme humano e atual” • a cena de quando Walt vai ao barbeiro com Thao.
Eduardo: “a vida é feita de escolhas” (fala de Walt) • cena da viagem de Thao com a Daisy com o Gran Torino.
Fábio: “saia do meu gramado” (fala de Walt) • cena da morte de Walt.
Guilherme: “quando dois comportamentos opostos de encontram, ambos se modificam” • cena da primeira vez em que Walt argumenta com o padre, porque mostra características interiores do personagem.
Jurandir: “o poder que uma amizade sincera pode exercer em uma pessoa” • a cena em que ele prende o garoto no porão, para protegê-lo, demonstrando uma preocupação pelo mesmo.
Letícia: quando o personagem Walt diz que apesar de tudo eles não teriam chance • cena da morte de Walt.
Madeleine: “individualmente sociável, é muitas vezes por meio do reflexo de outros que conhecemos um prisma de um ser — ainda que esses reflexos sejam longinquamente próximos” • a cena da morte de Walt, pois nela revela-se não só a perspicácia dele, mas a libertação de sua culpa bélica.
Como disse acima o filme nos fez pensar sobre a seguinte questão: Você se mataria por algo ou por alguém?
Deborah: não morreria por uma causa ou pessoa, pois acredito que sempre há saídas para qualquer situação.
Eddie: morreria pelos meus filhos.
Eduardo: pela humanidade
Fábio: talvez, dependendo da situação. No caso do filme o personagem escolheu “o menor dos males” (ser assassinado ou morrer pela doença)
Guilherme: me mataria apenas para salvar a vida de mais de uma pessoa. Seria como evitar um prejuízo para a humanidade. Mas não posso negar que ficaria receoso por uma morte lenta, preferia morrer rapidamente.
Jurandir: tudo depende da ocasião, mas acho que só pelos meus pais.
Letícia: se eu achasse que valeria a pena, morreria por uma causa.
Madeleine: Não, ainda não tenho esse grau de desprendimento
E você se mataria por algo ou por alguém? Dê sua opinião.
Eu, bem, penso como minha irmã, a Deborah, falou acima, mas acho que se tivesse filhos em uma situação de escolha morreria por eles. Talvez seria capaz de cometer atos por impulso, impensados, que me levassem a morte, para salvar a vida de alguém de minha família ou de alguém que goste muito, porque pensando racionalmente, sou como a Madeleine, não tenho esse grau de desprendimento.
Minha cena: uma das cenas do final, Walt em um momento de decisão, senta em sua velha cadeira de sua sala e pensa, no escuro. A luz da janela entra e recorta a escuridão e ele sentado nesta cadeira. Perfeita.
Minha frase: encerro com o que disse um pouco mais acima
Triste como as pessoas esquecem do que é realmente importante na vida e na morte. Gran Torino nos faz pensar sobre elas.









Realmente, acredito que foi um acaso muito feliz este que nos fez assistir ao “Gran Torino”, pois foi um filme de muito êxito em todas as críticas que pude ler e acompanhar. Temos mesmo que parabenizar Clint Eastwood por todo o seu trabalho nesta película — a gente pode sentir o quanto de atenção e cuidado houve na produção do filme, sem dúvida!!
Muito legais também todos os comentários e opiniões deste post e a você, leitor, fica o convite: 10/05/09, no Cine Roxy, mais uma edição do Cinesurpresa!! Até lá e abraços coletivos!!