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27
Mar
09

MILK: eu vim convocar vocês

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Ainda respirando o Oscar 2009 o 19º CINESURPRESA que foi no Espaço Unibanco teve como opções dois filmes que possuíam indicações para o Oscar: O Casamento de Rachel e MILK. Milk – A Voz da Igualdade foi escolhido por unanimidade pelos 9 integrantes da noite que deram uma nota média de 8,6 para o filme fazendo com ele ficasse empatado em nosso ranking com o filme Piaf em 6 lugar (veja nosso ranking na coluna da direita) . Das 9 pessoas todas gostaram do filme mas, uma disse que não o veria novamente. Veja o vídeo deste nosso encontro no final deste post ou clicando aqui.

MILK é baseado em fatos reais, em tristes fatos reais, que mostram abertamente o lado preconceituoso da sociedade e das pessoas. Preconceito este, no caso do filme, pelos homossexuais, mas que em vários momentos deixa claro o que também existe em relação aos negros, deficientes, asiáticos, judeus etc.
Adorei o filme! Não conhecia a história de Harvey Milk e nem destes acontecimentos. Saí de lá realmente chocada com a possibilidade, real, de um dia alguém ter proposto uma lei dizendo que o homossexualismo seria ilegal, que todos os homossexuais deveriam ser despedidos e menosprezados e tudo isso com o aval da lei. O pior é  saber que em algumas instâncias essa lei foi aprovada. Foi contra isso que Harvey Milk lutou contra este tipo de preconceito.


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Esse filme fez como que eu colocasse uma questão a mais para os participantes: Como você vê o preconceito contra os homossexuais hoje? Ainda existe? É forte? Mais ameno? Encerrarei este texto com estas respostas.
Acredito que não tenha no meu círculo de amigos pessoas com esse pensamento pequeno e se tiver, sem saber, sinto vergonha por elas, por existirem pessoas assim com tantos preconceitos contra homossexuais, nordestinos, pobres, negros, deficientes, judeus, asiáticos etc e até contra mulheres (já fui vítima de alguns preconceitos por este motivo).
Bem, vamos o filme. Milk começa mesclando fatos reais sobre os acontecimentos da época e sobre a sua morte. Isso continua em vários momentos do filme, o que faz com que a carga de realidade seja mais forte e tudo choque mais. Quem conta a história é o próprio Harvey Milk através de uma gravação — que ele realmente fez e você poderá ouvir a original aqui.


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Nosso grupo era composto por: André Hermes, André Leite, Caio, Durval Moretto, Fabio Machado, Glauce Guimarães, Ricardo Reis, Victor Martim e eu, Márcia Okida.

O Melhor e o Pior em MILK
O Pior

André Hermes: mostou pouco sobre o quanto a igreja alertava sobre a discriminação • André Leite: o ritmo oscilante do filme • Caio: ausência total das mulheres na causa gay, apesar de aparecer uma para ser militante de MIlk • Durval: o recalque leva as pessoas a cometerem loucuras • Fabio: o excesso de drama em vários momentos • Glauce: o ritmo do filme muito lento • Ricardo: nada • Victor: o abuso dos clichês gays em alguns momentos.

O Melhor

André Hermes: foi a representação das pessoas apoiando e deixando de se esconder • André Leite: a atuação de Sean Penn, impecável. • Caio: quando mostra no filme o poder de estruturação de um movimento gay. Quando conseguem chamar a atenção e conquistar a  sociedade • Durval: a união é capaz de modificar a vida das pessoas para melhor • Fabio: interpretação dos atores, Sean Penn, Josh Brolin e James Franco. Trilha Sonora • Glauce: a vitória do movimento gay depois de várias tentativas, alcançaram o objetivo • Ricardo: o filme todo! • Victor: sem dúvidas: o tema abordado.

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Eu realmente gostei muito do filme, não vejo defeitos. Gostei do ritmo, da proposta enfatizaria, tecnicamente falando, a direção de arte, figurinos e trilha sonora. E sem ser pelo lado técnico é sempre bom ver um filme que aborde qualquer tipo de preconceito para que, quem sabe um dia, eles acabem definitivamente.

Você se identificou com algum personagem?

André Hermes: com o primeiro namorado do Milk pois é uma pessoa que apóia os movimentos mas não toma a liderança • André Leite: sim, com o prefeito por ter a mente aberta a novas possibilidades • Caio: sim, com o prefeito de São Francisco, um dos poucos personagens heterossexuais que não demonstrou ser homofóbico. Em momentos usou seu poder de influência a favor do movimento gay • Durval: com Milk • Fabio: nenhum em especial • Glauce: não • Ricardo: com Harvey Milk, pela coragem, o fio condutor da vida, a esperança de igualdade também foi a sua morte • Victor: não.

Qual o melhor figurino na sua opinião?

André Hermes: quase todos os figurinos se identificam muito com os personagens, mostra como os gays assumidos se vestiam • André Leite: nenhum não gosta da moda dos anos 70 • Caio: o traje hippie na primeira aparição do personagem de James Franco • Durval: do assassino, sempre com roupas sóbrias e formais • Fabio: gostei do figurino no geral fiel a atmosfera da época • Glauce: do Harvey… básico, camiseta e cala jeans • Ricardo: camiseta do 1º namorado de Milk, bem justinha • Victor: gostei de todos muito adequados à época em que o filme passa.

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Bem eu me identifiquei com Milk, firme em seu propósito, em sua luta por aquilo em que acreditava, teimoso até o fim… e pelo desprezo que ele sentia por qualquer tipo de preconceitos.
Figurino? O conjunto é perfeito, já disse acima que acho um dos pontos positivos do filme mas gosto da passagem de estilo do figurino de Harvey Milk desde antes de sua entrada na política até seu novo make-up para a sua luta em busca de votos.

Uma frase sobre o filme e uma cena

André Hermes: necessário todos assistirem para diminuir o preconceito atual • cena: cena em que Milk leva a multidão para caminhar pelas ruas.
André Leite: não importa a idade, basta você acreditar e lutar pelo que acredita • cena: quando um garota entrega um panfleto para Milk e está escrito “união e esperança”.
Caio: peço a todos os homossexuais que saiam do armário • cena: cenas de passeatas e marchas de protestos
Durval: “eu vim convocar vocês” • cena: a cena do assassinato, uma metáfora sobre a Tosca
Fabio: a esperança supera preconceitos e manobras políticas • cena: a morte de Harvey Milk.
Glauce: tenham esperança… • cena: todas com a atuação do Sean Peen, estão perfeitas.
Ricardo: esperança para a minoria! • cena: todas!!!
Victor: ótimo filme com temática interessante • cena: a cena da passeata, da luta em defesa das minorias

Minha frase: “Dar ouvidos à preconceitos é renunciar à liberdade.”
Minha cena? difícil são muitas que me chamaram a atenção. Como designer gosto de todos que mostram cartazes e panfletos mas principalmente quando ele fez seu primeiro “discurso” pegando uma caixa de sabão e a usando como palanque. Como pessoa fiquei extremamente tocada com a beleza e simplicidade da cena de sua morte e a passeata final com aquelas milhares de velas a cena do filme se fundindo com a real.

Abaixo atores do filme ao lado das pessoas que eles representaram

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Sobre a pergunta do início motivada pelo filme:

Como você vê o preconceito contra os homossexuais hoje? Ainda existe? É forte? Mais ameno? o que nossos participantes surpresas pensam disso? Deixa aqui também a sua opinião.

André Hermes: Hoje ainda existe preconceito mas ele é muito mascarado, pois hoje tem leis que protegem. Mas hoje esse preconceito é bem menos que na década de 70.
André Leite: entre os anos 70 e 90, o preconceito pode ter diminuído, mas ainda é latente em nossa sociedade.
Caio: Os gays ainda sofrem discriminação sim. São vistos como doentes, errados no que são. Mas isso nos dias de hoje não é tão forte como na época do filme (década de 70)
Durval: Sim, ainda existe preconceito contra os homossexuais, embora tenham conquistado seu espaço.
Fabio: Sem dúvidas houveram avanços significativos, mas o preconceito ainda persiste em diversos segmentos da sociedade.
Glauce: O preconceito existe tanto para os gays, negros… mas, com muitas evoluções, pois, em 1978 não tinham espaço para discutir o assunto.
Ricardo: Infelizmente ele ainda existe! Quem sabe daqui há uns 20 anos não exista mais.
Victor: Atualmente o preconceito existe sim por parte da sociedade mundial. Aos poucos porém, os homossexuais vêm ganhando seu espaço.

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A minha opinião é todo e qualquer tipo de preconceito é burro, é fruto da ignorância da pobreza de espírito. Sendo preconceituosos perdemos a chance de conhecer novas idéias, culturas e pessoas. Deixamos de crescer, de evoluir. Nos tornamos mais pobres, mesquinhos, nos tornamos menos, sempre menos em tudo que temos em nosso corpo e alma, daí as guerras, os assassinatos, os atos absurdos como queimar índios, surrar homossexuais, bater em mulheres etc.  Infelizmente o preconceito existe em várias áreas e acho que o mundo, as pessoas, ainda precisam evoluir muito para que isso acabe. E se um dia acabar, tenho certeza de como Márcia Okida não estarei aqui neste mundo para ver e ficar feliz com isso, quem sabe em alguma reencarnação futura.

E você?  O que acha do preconceito de qualquer tipo? Escreva para gente clicando aqui

cartaz2Um pouco mais de MILK, agora um pouco de Design. Escrevi um artigo para uma revista de design sobre os créditos de aberturas, encerramentos e suas tipografias, dos filmes que concorriam ao Oscar 2009. MILK tem um conjunto tipográfico muito bom, desde sua abertura até os panfletos políticos que eles fez e distribuiu em sua campanha. Quer ler sobre o que escrevi da tipografia de MILK clique aqui e se quiser ler sobre as todas as aberturas de todos os filmes, aqui. Sem falar no cartaz. Gosto mais deste do que o que abre este artigo. Mas, gosto da metade para cima. A parte debaixo está poluída demais com muitos créditos quase ilegíveis por estarem esticados, sem falar que ocupam muito da imagem tirando a força do restante do seu corpo. A presença do azul é sempre marcante mesmo no cartaz branco, já que é a cor de sua campanha e tem tudo a ver com a proposta da busca pela igualdade. Letras retas, fálicas, marcantes totalmente condizentes com a personalidade de Harvey Milk.

01
Set
08

O que você levaria Depois da Vida?

1 ano de CINESURPRESA. Parece que foi ontem quando nos juntamos para pensar em um modo que pudéssemos falar de cinema juntando pessoas conhecidas e desconhecidas, tratar de filmes de todos os gêneros e gostos sem rótulos e sem papos cabeça e de uma maneira que tivesse o menor custo possível. Assim surgiu o Cinesurpresa, de um papo inicial entre Eduardo Ricci, Fabio Machado (idealizador do nome) e eu, Márcia Okida. Nosso primeiro encontro foi em agosto de 2007 com o filme Duro de Matar 4, e no nosso 1º aniversário comemorado no dia 9 de agosto de 2008, não poderíamos ter tido uma tarde/noite melhor: o evento foi realizado no Cineclube Lanterna Mágica, na Unisanta, de uma forma diferente:

O filme escolhido: o premiado Depois de Vida (Hirokazu Koreeda – 1998). 1998 Melhor direção no Nantes Three Continents Festival • 1998 Vencedor do prêmio FIPRESCi – Maior prêmio da crítica de cinema – para Koreeda no San Sebastián International Film Festival • 1998 Melhor Roteiro no Torino International Festival of Young Cinema • 1999 - Vencedor de melhor filme melhor roteiro no Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires • 2000 Vencedor de melhor Direção de Arte no Mainichi Film Concours, além de ter sido indicado como melhor filme em inúmeros outros festivais de cinema entre eles ficando entre os finalistas da Associação dos Críticos de Cinema de Las Vegas e de Chicago.

Os participantes: Alexandra Sampaio Amílcar Barreto André Leite Cláudia Busto Cristina Silveira Daniel de Jesus Trigo Daniela Marino Deborah Okida Eduardo Ricci Fabio Machado Glauce Guimarães Humberto Régis José Carlos Magalhães Luciano Teixeira Madeleine Alves Naiani Souza Oscar Valeriano Osvaldo DaCosta Priscila de Faria Freire Priscila Rodrigues Ricardo Reis Ronaldo Marino Victor Martin. Sem falçar que também estiveram por lá: Julian Nunes Carlos André, esposa e filha Letícia Cheneme Eddie Santana Nara Assunção.

Como desta vez não tínhamos várias sessões para fazer a votação, pois o encontro não foi num dos cinemas da Cidade, cada participante levou um filme e votamos entre todos. Depois da Vida estava no meio dos seguintes filmes: Senhor das Armas, O carteiro e o Poeta, Dogville, Como Água para Chocolate, Edward Mãos der Tesoura, Vida de Solteiro, O Incrível Exército de Brancaleone, Espanta Tubarões, E.T., Nada é Para sempre, Highlander I e II, Dossiê Re Bordosa, Sid & Nancy, Uma Linda Mulher, Tudo sobre Minha Mãe e Frida. Depois da Vida quase ganhou por unanimidade, somente duas pessoas não votaram nele.

Mas vamos ao filme, opiniões e detalhes de nosso encontro. Como todos sabem, faço uma grande pesquisa antes de postar aqui e mais uma vez não achei críticas negativas ao filme escolhido.

Depois da Vida é uma bela obra não apenas cinematográfica, mas humanística, sensorial, espiritual e sinestésica até. É uma bela fábula, conto de fadas ou ficção, se preferir, que se passa em um peculiar purgatório: um lugar onde os mortos são entrevistados antes de caminharem para a vida eterna. Nessa entrevista eles devem responder a uma única questão: Que momento da sua vida você gostaria de levar com você para a eternidade? Um único momento apenas, uma única lembrança de toda uma vida. Qual seria? Depois dos momentos escolhidos os entrevistadores deste “purgatório” filmam cada momento e os entregam aos donos destas memórias. E assim o filme se desenvolve. Com um início bem típico de um documentário — influência talvez do início da carreira de Koreeda que foi como documentarista — onde as pessoas sentadas em cadeiras, com um cenário extremamente simples são indagadas sobre a questão acima. O filme se divide claramente em três partes: a entrevista – a filmagem dos momentos – a entrega da fita.

Depois da Vida teve nota 8 na média entre os partcipantes ficando em 6º lugar no nosso ranking surpresa,  o que eu acho uma injustiça, mas como podem ver nosso grupo respeita o gosto e opinião de todos. Das 24 pessoas 9 não veriam e 15 veriam novamente (algumas pessoas estavam vendo pela terceira ou segunda vez e ainda veriam novamente). Vamos as perguntas:

O pior no filme para cada um:

Alexandra Sampaio: o filme não me envolveu, achei melancólico e parado • André Leite: a excecução da idéia • Cláudia Busto: é parado e tem cenas escuras •Daniel de Jesus Trigo: é um pouco cansativo • Deborah Okida: escolher só um momento de nossa vida, mas esta é  uma opinião que não é sobre a parte técnica, pois acho o filme perfeito, as imagens saõ meio escuras, mas esta é a proposta do filme • Luciano Teixeira: tem imagens muito escuras • Naiani Souza e Ricardo Reis: a fotografia • Priscila Freire: a falta de cor • Victor Martin: a excecução da idéia e a falta de expressão dos atores • Cristina Silveira, Daniela Marino, Fabio Machado, Glauce Guimarães, Humberto Régis, José Carlos Magalhães, Priscila Rodrigues, Oscar Valeriano, Ronaldo Marino: um pouco lento e introspectivo, a morosidade. • Amílcar Barreto, Eduardo Ricci, Madeleine Alves, Osvaldo DaCosta: nada

O melhor no filme para você:

Amílcar Barreto: simplicidade • André Leite: O roteiro • Cristina Silveira: a revelação da cultura japones a respeito da espiritualidade. • Daniel Trigo: o velhinho pedindo para ver as suas fitas. • Deborah Okida: quando o rapaz finalmente escolhe sua lembraça e se liberta da sua “prisão” • Eduardo Ricci: os depoimentos • Fabio Machado: os personagens e a temática abordada. • Luciano Teixeira: cena dos dois senhores jogando • Madeleine Alves: a atenção nos detalhes mas, principalmente, a concretização competente de uma idéia inusitada. • DaCosta: Andar na Neve • Priscila  Freire: a demonstração de uma calma contida mesmo num momento de raiva de um dos personagens • Ricardo Reis: a interpretação dos atores • Ronaldo Marino: a idéia da lembrança que vai migrando de coisas aparentemente banais para momentos mais simples. • Victor Martin: o enredo, a história, a idéia • Naiani Souza, Oscar Valeriano: a história que nos envolve • Cláudia Busto, José Carlos Magalhães, Priscila Rodrigues: a mensagem e o estímulo a reflexão • Alexandra Sampaio, Daniela Marino, Glauce Guimarães, Humberto Régis: a idéia

Bem, a minha opinião é que o filme é perfeito, nada de ruim ou errado ou que pudesse ser diferente. Ele é lento sim, é escuro sim… mas essa é a proposta. O filme tem a espritualidade do budismo, do xintoísmo (origem da religião budista). É simples, fala pelos detalhes que, mesmo sendo poucos, são perfeitamente e esteticamente organizados. Exemplo disso são todas as cenas da senhorinha Nishimura (Hisako Hara falecida com 96 anos em 2005) que passa seus dias no purgatório atrás de flores de cerejeiras. E as janelas, pano de fundo da maioria das entrevistas e o que existe por trás das janelas: tudo é organizado. Temos luz onde existe e deve existir luz: fora do purgatório, nas cenas relembradas, nas cenas quando são filmadas, na emoção, na poesia das lembranças que buscam no passado. Temos sombra nos momentos onde tudo são sombras: o que vem na sua cabeça quando perguntamos sobre um momento de sua vida? Com certeza nesse primeiro segundo o que existe são sombras que vão sendo dissipadas a medida que achamos nossas memórias.

Depois da Vida não camufla sua fotografia e sua direção de arte, elas são o que tem que ser: detalhistas, perfeciocnistas e baseadas na espiritualidade mesmo que sendo uma espiritualidade fictícia. Realmente ele começa bem lento, confesso que da primeira vez que vi me deu sono no início, mas quando entramos na segunda parte do filme, os momentos sendo filmados, o ritmo muda e o encantamento de cores e de uma linguagem visual diferente aparecem. Quando o vi da segunda vez não o senti lento  nem cansativo… é um filme de detalhes, para ser visto, sentido e percebido devagar e atentamente, como muitas coisas da tradição japonesa e como nossas lembranças. Por isso Depois da Vida, na minha opnião, é perfeito. Diria que depois da vida é um imenso Haicai composto por três linhas (três momentos) que pelas suas simbologias e estéticas perfeitas tem a capacidade peculiar de falar de uma vida inteira.

Com qual personagem você se identificou?

Cláudia Busto: com a mulher que diz que todos os homens são iguais • Cristina Silveira: a senhorinha dos sapatinhos vermelhos • Deborah Okida: Shiori (Erika Oda), a garota assistente • Eduardo Ricci: com o garoto que morreu na guerra com 22 anos • Fabio Machado: com o velhinho indeciso para escolher sua memória e/ou o garoto que não queria escolher nada • José Carlos Magalhães: com o jovem que viu no seu entrevistado o homem que namorou sua ex-namorada. • Ricardo Reis: cada um transparece um pouco de mim • Alexandra Sampaio, André Leite, Daniela Marino, Glauce Guimarães, Humberto Régis, Luciano Teixeira, Priscila de Faria Freire, Priscila Rodrigues, Oscar Valeriano, Ronaldo Marino: com nenhum • Amílcar Barreto, Daniel de Jesus Trigo, Victor Martin: com o garoto que não escolhe sua lembrança • Madeleine Alves, Naiani Souza, Osvaldo DaCosta: com a Sra. Nichimura (a vovó das flores)

E já que nosso Festival de Cinema de 2009 vai falar de Figurino temos a pergunta: Qual o melhor figurino do filme:

Cláudia Busto: da garota assistente • Daniel de Jesus Trigo: do velhinho que pede as fitas • Deborah Okida: o da cena da Yoko com o noivo no banco do parque • Madeleine Alves: o vestido desenhado pela senhora que gosta de dançar • Priscila Rodrigues: da garota da Disney • André Leite, Eduardo Ricci: Sra. Nishimura (das flores) • Cristina Silveira, José Carlos Magalhães, Luciano Teixeira, Naiani Souza, Osvaldo DaCosta: mulher com a flor na lapela • Humberto Régis, Ricardo Reis: nenhum
Alexandra Sampaio, Amílcar Barreto, Daniela Marino, Fabio Machado, Glauce Guimarães, Oscar Valeriano, Priscila de Faria Freire, Ronaldo Marino, Victor Martin: não opinaram

Uma cena do filme:

Amílcar Barreto: Sra. Nishimura olhando pela janela • André Leite: Sra. Nishimura olhando os objetos na mesa • Cristina Silveira: a cena do casal principal • Deborah Okida: a Sra. Nishimura procurando folhas, sementes no bosque • Eduardo Ricci: o silêncio da Sra. Nishimura na entrevista • Fabio Machado: quando a personagem tira um dia de folga e anda pelas ruas • José Carlos Magalhães: quando a menina vai a procura do filme da vida do rapaz que ela gosta, mesmo sabendo que pode perdê-lo • Madeleine Alves: o homem limpando as lentes postas em cima da lua; os 3 pontos de vista da cena “libertadora” de um dos trabalhadores • Naiani Souza: a cena da guria chutando a neve • Oscar Valeriano: quando um dos encarregados descobre que a mulher que ele amou antes de morrer, o amou até o dia de sua morte. • Priscila de Faria Freire: quando todos se reúnem para filmar um personagem • Humberto Régis, Ricardo Reis: as lembranças dos personagens • Victor Martin: a hora em que são entrevistados os recém chegados • Daniel de Jesus Trigo, Luciano Teixeira, Osvaldo DaCosta: o jogo de xadrez • Cláudia Busto, Priscila Rodrigues: a cena onde Sra. Nishimura entrega as flores para o rapaz • Alexandra Sampaio, Daniela Marino, Glauce Guimarães, Ronaldo Marino: não opinaram

Sobre o figurino, acho difícil escolher um. Todos formam um conjunto muito bom fazendo com que nenhum se sobressaia muito em relação ao outro, são detalhes que os fazem diferentes: uma rosa na lapela, um cachecol, uma gravata… mas acho que o que mais me agrada, não que seja o melhor, é o da prostituta: a mulher da flor na lapela. Me identifico com a Sra. Nishimura por muitos motivos, pelo silêncio, pelas flores que ela busca — flores de cerejeira que para o japonês simbolizam muito — pelo sorriso no rosto e olhar terno, mas o principal motivo não posso falar porque contaria detalhes do filme que valem a pena serem sentidos e percebidos na hora. Não costumamos estragar surpresas de filmes aqui :) .

Quanto a uma cena do filme… são muitas, mas lembrando o que falei acima sobre o filme ser um imenso Haicai, por isso para mim diria que minha cena se resume na Sra. Nishimura que, para mim, é o espírito do filme e todas as suas aparições são para a gente guardar com os olhos da alma. Simplesmente lindo este personagem. Como todos no filme e antes de encerrar este texto, vale a pena dizer sobre a belíssima construção de personagens e seu trabalho de roteiro — lembrando sempre que é um filme japonês e de espírito japonês, não um blockbuster — por isso o trabalho de personagem, roteiro, atuação, são leves, simples. Pode parecer falha de interpretação, mas são atores japoneses deixando transparecer a personalidade oriental secular que esse povo possui: frieza, sobriedade, simplicidade, dureza etc.

É um filme que nos faz pensar. Impossível não sair de um filme deste sem alguns destes questionamentos: qual seria a cena da minha vida? O que eu gostaria de guardar para a eternidade? Desde quando minha memória existe? Até que ponto a minha memória, minhas lembranças são reais, verdadeiras? Qual o real significado de minha existência? O que eu fiz de significativo? Se eu pudesse voltar o que eu faria de diferente? E uma pergunta que sempre existe em um filme com esse tipo de abordagem: para onde vamos? Como é do outro lado, se é que existe lado? O que contece Depois da Vida?

Participe e mande sua resposta para a pergunta:

Qual momento da sua vida você levaria para a eternidade?

veja a resposta dos nossos participantes na página referente a esta pergunta (veja nas abas na cabeça do site ou clique aqui)  e envie a sua.

Uma frase para Depois da Vida pelos participantes

  • André Leite: Viva bem e tenha boas lembranças
  • Cláudia Busto: Quase nada é para sempre
  • Daniel de Jesus Trigo: Uma lembrança boa vale por uma vida inteira
  • Deborah Okida: Aproveitar todos os momentos da vida e aprender com eles
  • Eduardo Ricci: Viva intensamente todos os momentos de sua vida… depois vire-se para escolher apenas um
  • Fabio Machado: Viva verdadeiramente a sua vida, para levar consigo as melhores memórias
  • Humberto Régis: Tudo vale a pena se a alma não é pequena
  • José Carlos Magalhães: Uma tese sobre a pós-vida interessante de se considerar
  • Naiani Souza: Guarde os melhores momentos para eternizá-los
  • Oscar Valeriano: uma linda história de memórias
  • Osvaldo DaCosta: O tempo
  • Priscila de Faria Freire: Não devemos criar expectativas sobre nada em nossas vidas
  • Priscila Rodrigues: A vida sempre vale a pena
  • Ricardo Reis: Ao olhar para trás não se arrependa do que faz e fez
  • Victor Martin: Viver a vida com intensidade dando valor a cada momento

Destas frases todas eu escolho a de Madeleine Alves para terminar este texto, ela disse:

“Momentos únicos são libertadores. Idéias únicas também”

…e não esqueçam dia 14 de setembro é o nosso 14º CINESURPRESA, estaremos às 18 horas, no Espaço Unibanco, Shopping Miramar, e o nossos papo depois será por ali mesmo na praça de alimentação. Até lá!!

21
Jul
08

Wall-E… Nós podemos mudar o mundo…

Sempre que tenho que falar de algum dos nossos filmes do CINESURPRESA, faço uma pesquisa pela net de links que possam ser interessantes para passar para vocês, buscando visões, opiniões diferenciadas. Com Wall-E me deparei com uma grande unanimidade: não encontrei criticas negativas. Assim como a opinião do nosso grupo do 12º encontro, Wall-E está além das criticas negativas. Não existe o que falar mal deste filme. Também compactuo com a opinião de muitos: é bem mais fácil escrever sobre filmes ruins, ou que não gostamos do que falar sobre filmes bons. Imagine então como é difícil falar sobre um filme maravilhoso, perfeito! O que mais dá vontade de escrever, falar sobre filmes assim é:

— Vá ver Wall-E o quanto antes, não perca de modo algum e veja na telona do cinema, não espere sair em locadoras mas, quando sair compre o DVD, vale a pena. Wall-E é simplesmente apaixonante!

O 12º CINESURPRESA foi dia 13 de julho no Cinemark. Como vocês já perceberam o filme escolhido foi Wall-E, que teve uma votação unânime — concorreu com Kung Fu Panda e Hanckok que também estavam passando entre 18 e 19h. Outra unanimidade foi a nota dada ao filme: 10! Com isso Wall-E passou ao primeiro lugar, merecidamente, do nosso ranking. Nosso grupo mais uma vez estava pequeno, devido as férias muitos não puderam estar conosco. Vamos as primeiras opiniões, e mesmo tendo recebido nota 10 de todos, temos sempre a pergunta:

O pior do filme para você?

Deborah: o controle das pessoas, impedindo que vivam de verdade, mas apenas sobrevivam • Eduardo: a esmagada da barata • Ricardo: o piloto automático

Como podemos ver não tem o que falar mal do filme mas, do que ele mostra de ruim, do que pode acontecer com o mundo em que vivemos, se os homens continuarem a ter atitudes egoístas sem pensar no planeta. É ruim: a atitude dos homens, o comodismo pelo avanço da tecnologia, o descaso com o nosso planeta, meio ambiente, a falta de humanidade, de sensibilidade… Wall-E mostra um mundo onde a distância existente entre os homens, é tão grande que um simples ato de acenar com a mão, dar as mãos, um bom dia, um olá, são gestos raros que acabam causando estranheza aos “seres humanos”. Wall-E, é um robô, mas é o mais humano de todos no filme.

E assim temos a grande obra da Pixar e, com certeza, seu melhor filme até o momento. E é um filme de amor, entre Wall-E — Elevador de Detritos Classe Terra, abreviação de “Waste Allocation Load Lifter Earth-Class” — e Eva — Exterminadora de Vegetação Alienígena, “Extra-terrestrial Vegetation Evaluator”. Mas o amor que o filme mostra vai além do amor entre “homem e mulher”. Wall-E fala do amor pela vida, pelo planeta, pelo mundo em que vivemos, pela nossa memória e tantos outros amores. E o filme cativa porque todos estes sentimentos podem ser percebidos no “rosto” deste robozinho.

Como pode um robozinho velho feito para catar lixo ter tantas expressões, tanta sensibilidade?

Neste momento me lembro, já que estamos falamos da Pixar, do primeiro curta de animação feito por eles, de 1986, “Luxor Jr.” Lembro-me como se fosse hoje o dia em que o vi pela primeira vez, em 86 mesmo. Desde então me apaixonei por aquela luminariazinha que tinha todo jeito e sensibilidade de uma criança brincando com seu pai. Nunca me esqueci. É só alguém falar ou eu ver algo da Pixar que o Luxor Jr. me vem a cabeça. Quem não viu pode clicar aqui neste link para ver direto do site da Pixar ou aqui pelo Youtube. Mais a Pixar cresceu muito e a cada novo trabalho vem toda essa inovação, evolução que não é apenas tecnológica, mas de todo o conjunto que compõe a criação, construção e produção de um filme

Wall-E não é apenas uma grande obra do cinema de animação. É um grande filme, e perfeito: roteiro, produção, direção de arte e a trilha, nossa que trilha sonora maravilhosa! Vale a pena procurar e ouvir. Poderíamos também falar por horas dos ângulos, enquadramentos, movimentos de câmera, cenas que fazem com que o espectador se sinta realmente dentro do filme. Exemplo disto temos em muitas cenas, mas desde o início do filme — momento em que apresentam Wall-E para gente — isso já fica claro: a riqueza da linguagem cinematográfica que será usada, desde belas panorâmicas, planos seqüências até closes, detalhes perfeitos. Com isso fica fácil se colocar dentro da história, se emocionar e até de se identificar com alguns dos personagens mesmo sendo eles… robôs… ou uma barata.

Nunca pensei que gostaria de uma barata, mesmo que “animada”. Já vi várias em animações, mas nunca nenhuma me cativou tanto. A relação de Wall-E com sua baratinha de estimação — que se chama Hal em homenagem ao computador HAL de 2001 e também é uma homenagem ao produtor da década de 20 Hal Roach. Essa relação é como a de qualquer pessoa com seu cachorro, gato, enfim, qualquer animal de estimação. Vale prestar atenção nos movimentos desta baratinha e em como esta relação de troca e atenção se dá de forma tão humanizada entre um robô e um inseto. Um momento valioso entre Wall-E e Hal e quando ele manda ela “ficar” — como quando mandamos um cachorro ficar quieto, sentado, parado em um local — a baratinha até “abana o rabinho” e não sai do seu lugar até seu dono, robô, voltar. É fácil gostar desta barata.

Mas o principal em Wall-E: ele faz pensar em muitas coisas que vão mais além da relação homens e animais. E aí entra outra das nossas perguntas: O melhor do filme?

Deborah: O amor, a amizade e a perseverança • Eduardo: A amizade • Ricardo: Wall-E que simboliza tudo isso

E como falamos de se identificar com os personagens: Com quem você se identificou:

Deborah, Eduardo e Ricardo: Wall-E e o Ricardo ainda disse o porque: ele encontrou a essência da vida. Até as máquinas amam…

Por tudo que já foi falado acima, é fácil se identificar com Wall-E. Também me identifiquei com ele, até porque vi entre ele e sua baratinha a minha relação entre eu e meus 3 cachorros, mas também:

• por ele gostar de resgatar sua memória — ao seu modo Wall-E guarda tudo que é importante para sua história atual e sobre seu passado. Desde um cubo mágico, lâmpada comum, sutiã, isqueiro etc até um fita VHS do filme Hello Dolly, que ele vê repetidamente buscando algo que vê no filme, e além dele. Lógico, não vou contar detalhes, perderia a graça.

• também me identifico pela importância que ele dá a sua casa, sua vida, seu mundo e ambiente.

Infelizmente, talvez, muitos se identifiquem pelo lado negativo que mostra o filme, muitas pessoas agem do modo ruim que o Wall-E mostra. E aí esta a sua maior mensagem:

Qual será o nosso futuro se continuarmos cada vez mais buscando no avanço tecnológico, coisas que facilitem nossa vida nos tornando menos ativos, criativos, sensíveis, menos humanos enfim?

Já vivemos em um mundo em que poucos pensam na qualidade de vida, de nossa água, terra, poucos pensam em responsabilidade social e ambiental. Mais que isso: a busca pelos relacionamentos virtuais, e não falo de sexo virtual mas de amizade, é cada vez mais constante. As pessoas hoje têm amigos que nunca viram, nunca se tocaram, nunca trocaram um aperto de mãos, e se trocarem, este tipo de contato será na sua maioria das vezes, em poucos momentos de encontros marcados para que se conheçam. O relacionamento humano é cada vez mais escasso, mais a distância, superficial e sem importância.

Wall-E trata claramente destas questões. Quem não gostou de Wall-E e achou o filme bobo, exagerado, meloso, dramático… deve repensar sua vida e suas atitudes para que não e torne cada vez menos humano e mais máquina.

Qual a cena do filme que você mais gostou?

Deborah: quando Wall-E e Eva juntam as mãos • Eduardo: Wall-E andando e empilhando o lixo • Ricardo: Nós créditos finais quando a Terra recebe finalmente as suas cores reais, verdadeiras…

Qual o melhor figurino?

Deborah e Eduardo: Eva • Ricardo: todos…

A minha cena, seriam duas, se me permitem: a cena em que Wall-E preocupado com a vida de sua baratinha de estimação manda ela “ficar” e a dança espacial de Wall-E e Eva bem ao estilo de Gene Kelly, Fred Astaire e Gingers Rogers. Figurino? Primeiro deixa o explicar o motivo desta pergunta: o Festival de Cinema Cineme-se 2009, terá como tema Figurino, e já estamos no clima do festival. Esta pergunta será feita até o dia do festival começar em 2009.

Alguns devem estranhar e pensar: aonde existe figurino em Wall-E? Mas existe sim! Mesmo o design do robozinho tem figurino: a cores da lataria, os detalhes, a posição destes detalhes, podem ser considerados parte de seu figurino. E temos também as roupas dos humanos presentes no filme. O meu voto para figurino vai para Wall-E. Não por ser o mais bonito, pelo contrário, mas por ser a melhor combinação entre a estética criada e a intenção de emocionar desejada com este personagem.

Entramos agora um pouco em direção de arte. Que é perfeita, como tudo no filme e que junto com a trilha, design em geral nos traz grandes referências visuais e emocionais. Não tem como a gente não lembrar de Charles Chaplin — Carlitos o palhaço mendigo ingênuo, desastrado, sensível e sempre apaixonado, ET — o mesmo estilo de design para olhos, pescoço, proporção de corpo, 2001 uma Odisséia no Espaço, Hello Dolly e como disse antes, Gene Kelly, Fred Astaire e Gingers Rogers. Pode ainda nos remeter a histórias de amor como Romeu e Julieta ou a Dama e o Vagabundo. O mais incrível é que Wall-E fala de tudo isso e é um filme praticamente sem diálogos. As falas estão na direção de arte, no som, na linguagem de câmera, nos gestos.

Com tudo isso não dá para a gente dizer que Wall-E é um filme para o público infantil. Até porque, ainda dentro da direção de arte, as cores não são para crianças. Em sua grande parte Wall-E é composto por cores frias. Poucos são os momentos com muitas cores intensas. O mundo de Wall-E é frio, repletos de cores terrosas, cinzas, cores frias, pastéis, areia, lixo… As cores aparecem no mundo de Wall-E nos créditos finais.

Então fica aqui uma dica: Não saiam até terminar a última letrinha dos créditos. A história continua, ainda em animação, mas em outros e diversos estilos. O desfecho do filme, o futuro de Wall-E e sua amada Eva, é mostrado nos créditos, que é, ainda, uma grande homenagem a história da arte mostrando desde as pinturas rupestres — no filme sendo refeitas pelos novos habitantes da nova Terra — até a mais bela arte moderna atual passando por homenagens diretas a Van Gogh e Monet — sobre Van Gogh a homenagem se inicia já no filme com as “botinhas de Wall-E” e nos créditos alguns personagens do filme habitam telas de van gogh. Ao lado, as botas de van Gogh — que representavam para ele um sentimento igual as botas para Wall-E — e alguns dos quadros de Van Gogh usados no crédito filnal do filme. Então não percam os créditos finais, além de belíssimos, contam o final da história.

Uma frase sobre o filme:

Semmpre há esperança • Deborah Okida

Amor incondicional • Eduardo Ricci

Há sempre um recomeço. Quem semeia um dia colhe • Ricardo Reis

Para mim: a gente colhe aquilo que planta e se torna aquilo que semeia. A semente de nosso futuro está dentro de cada um dos nossos gestos. Depende somente de nós se seremos, felizes, amados e se viveremos em um mundo de lixo ou de flores, paz ou guerra. Não é porque é difícil alcançar, não é porque não depende só da gente, que devemos ser egoístas e não pensar no mundo que nos rodeia. O seu gesto mesmo que único, sozinho, pode “contaminar” outras pessoas e com isso criamos gestos maiores.

Termino falando de duas coisas:

• os cartazes do filme que dariam um papo a parte: observem ao lado a diferença de estilos e propostas de cada um dos cartazes. Desde cartazes que lembram a história do cartazismo no design gráfico como os da primeira fileira — cartazes no estilo art-decó, futuristas, pop — passando pelos com estilo clean, somente com o personagem, e chegando até os mais visuais, modernos, tecnológicos. Poderiam ser usados em uma aula de estilo e design.

• aproveitando a temática do filme coloco aqui, e ficará de forma permanente em nosso blog, o selo da campanha “Nós Podemos – 8 Jeitos de Mudar o Mundo” e espero que cada um pense no seu jeito de mudar o seu mundo e o nosso mundo.

Até o próximo CINESUPRESA em comemoração ao nosso 1º aniversário e que será dia 9 de agosto, sábado no Cineclube da Unisanta, Santos. Quer ir? Me mande um mail clicando aqui.

Escrito por Márcia Okida em 21 de agosto de 2008

05
Jul
08

é o fim… Fim dos Tempos

Vou começar diferente este artigo.

CINESURPRESA de número 11.

11 é o número das revelações. Pela cabala a série de números que antecede o 11, de 1 ao 10,  fala sobre a soma de todas as coisas do mundo material. Já a seqüência seguinte, iniciada pelo 11, fala de conhecimentos e realizações do plano superior, espiritual, sendo que o 11 dá início a esta seqüência. 11 é a soma de 10 + 1. Deus é o número 1 e o Mundo é número 10. Isso dá sentido ao 11 que é o número das revelações, signo do conhecimento de Deus e da entrada na vida superior. O 11 possui aspectos positivos e negativos: filantropia, preocupação com os demais, ambição, bloqueio, dependência, falsidade, mentira inteligente, crueldade. Tem como palavras-chave  negativas: fanatismo, desorientação, cinismo, falsa superioridade, desonestidade, mesquinhez, negligência e preguiça.
O Arcano XI do Tarot, a Força (Justiça – Persuasão), tem como palavras-chave: força, decisão, confronto com a sombra, ação, impaciência, cólera, orgulho, paciência, domínio dos impulsos e transformação dos mesmos em ideais mais elevados, fé, sedução, luxúria, esforços direcionados a um objetivo, repressão.

Concluindo, poderia dizer que a 11ª edição do CINESURPRESA

estava realmente envolvida com o número 11.

Fim dos Tempos, (site oficialsite nacional)foi uma surpresa, lidou com a nossa paciência. No nosso bate-papo fizemos esforços direcionados a um objetivo: tentar não falar tão mal assim do filme. Fim dos Tempos, se diz um filme de ação, que aborda (ou pelo menos tenta) o confronto com a sombra, cólera, repressão, paranóia, fanatismo, desorientação, fé, negligência com o mundo em que vivemos, mesquinhez… enfim muitas das coisas citadas acima.
Minha opinião começa aí, neste texto, mas vamos ver o que o grupo que se reuniu neste domingo frio e chuvoso, achou do filme. Justamente pelo tempo tivemos poucos participantes, mas todos que fazem parte dos mais assíduos e de presença forte, marcante nos seus palpites: Eduardo Ricci, Madeleine Alves, Ricardo Prado, Ricardo Reis e eu.


Fim dos tempos recebeu nota 6,4, o que o coloca no final da nossa lista, em 9º lugar e bem atrás do que até agora era o último — Dura de Matar com nota 7. (veja nosso ranking surpresa ao lado). Dos 5 participantes 4 não veriam novamente e somente a Madeleine respondeu com um “não sei”. Ricardo Reis e Eduardo Ricci disseram que gostaram do filme. Madeleine também disse “não sei”. E o Ricardo Prado e eu não gostamos do filme.
Realmente não gostei mesmo. De nada, ou quase nada.

O filme não cumpre o que pretende, ou melhor pretendia. Em alguns momentos é um filme de suspense, em outros de ação, em alguns de terror e o pior, em certos momentos — algumas cenas de morte — é bem trash. Nada contra os filmes Trash, até gosto muito. O problema que não ter uma linha, uma proposta definida. Tem cenas bonitas, ângulos e movimento de câmera perfeitos, mas são poucos sem falar de que um filme não se sustenta apenas com alguns enquadramentos perfeitos. Fim dos Tempos não convence, não pega. É triste ver um diretor como M. Night Shyamalan que fez um Sexto Sentido, Corpo Fechado (que acho os melhores dele) errar tanto na mão em um filme como este.

A proposta, a idéia, é boa: Paranóia.

Segundo ele mesmo, M. Night Shyamalan, este é o tema principal do filme: mostrar como as pessoas lidam com suas paranóias em situações extremas e quase sem saída. Como é o relacionamento humano neste momento, como as pessoas se tornam mesquinhas, individualistas, egoístas pesando apenas em sua própria sobrevivência perante a idéia da morte.

  • O que fazer quando se perde o medo?
  • Quando se perde a noção de perigo?
  • Quando de perde o conceito de respeito a vida humana e ambiental?
  • E até, para jogar um pouco de romantismo: quando se perde o conceito real do que é amor, amor pelo homem amado, amor ao próximo, amor a vida?

Pois é, o filme no fundo trata de tudo isso. Ótimos assuntos para um filme não? Com certeza, mas desde que não se erre na mão, na dosagem das coisas, em como mostrar, como falar e principalmente não se erre no modo de como devemos tocar, chegar nas pessoas. A maneira que o roteiro de desenrola é péssima, como disse antes, não deixa claro o estilo do filme (se é suspense, ação, terror etc) e ainda tenta fazer rir mas com piadas fraquíssimas, extremamente sem graça e mal colocadas.

Por isso mesmo no nosso bate-papo a pergunta que mais demorou a ser respondida foi:

O melhor do filme para você?

Eduardo: cena dos corpos caindo (no começo)
Madeleine: trilha sonora e a apresentação das teorias evolutivas de Mrs. Jones, (Betty Buckley) “mas não o seu desenvolvimento” ela deixa claro.
Ricardo Prado: trilha Sonora
Ricardo Reis: só o amor constrói

Bem para mim o melhor do filme, para não dizer que não vi nada de bom, foi a personagem Mrs. Jones, mas friso: a personalidade deste personagem, porque seu desenvolvimento, como diz a Madeleine, foi ruim. Também é boa a idéia por trás do filme, que por sinal não vingou, a idéia, mensagem, de como devemos prestar mais atenção nas pessoas e no mundo e que vivemos, saber respeitá-lo e perceber seus sinais.

Já para responder sobre o pior do filme, foi mais fácil:

Eduardo: o roteiro
Madeleine: “as escolhas errôneas ao trabalhar pontos desnecessários e deixar de lado potencialidades no decorrer da trama”
Ricardo Prado: “tentar agradar `atirando para todos os lados´ e investindo pouco na inovação”
Ricardo Reis: “o final previsível”

Bem, sobre o que achei de pior no filme, já falei mas sobre uma cena do filme que mais me interessou, ou seja o que achei de melhor, foi a cena de minha personagem favorita mas mal aproveitada, Mrs. Jones (Betty Buckley), quando convida os três — Eliot Moore (Mark Wahlberg), Alma Moore (Zooey Deschanel) e a garotinha Jess de 8 anos (Ashlyn Sanchez) — para jantar. Como disse a Madeleine, as “teorias evolutivas” apresentadas por Mrs. Jones, sentada na cabeça da mesa, entre café, bolachas e um tapa na mão da garota Jess, poderiam ter sido melhor aproveitadas. Sem dúvida, para mim, a melhor cena e as melhores falas estão alí. (na imagem abaixo a foto central é desta cena)

Cena do Eduardo: “quando Eliot Moore chora junto com a menina Jess”
Cena da Madeleine: “as plantas balançando ao vento, soturnamente dançando ao som da trilha sonora”
Cena do Ricardo Prado: “a cena em que mostra os vários operários da construção caindo”
Cena do Ricardo Reis: “a cena em que Eliot Moore, o protagonista, pede carona e todos viram as costas com seus carros. O egoísmo”

Desta vez somente o Eduardo Ricci se identificou com algum personagem e foi com o Eliot Moore (Mark Wahlberg). Mais ninguém.

Uma frase sobre o filme:

“Respire tudo quando tudo parecer o fim” • Eduardo

“Seguir em várias direções pode ser prejudicial a seu filme— caso você não saiba como fazê-lo” • Madeleine

“As piadinhas deste filme farão você querer de matar como os personagens do filme” • Ricardo Prado

A frase do Ricardo Reis, eu uso para terminar este texto e serve como reflexão de um tema que fracassou, e que poderia ter sido muito melhor abordado. E também uso como minha frase:

“O egoísmo do ser humano, nos leva a ser canibais de nós mesmos! • Ricardo Reis”

Veja mais sobre o filme na coluna ao lado: fotos e vídeo

•  •  •  •  •

UMA PARTE SOBRE DESIGN GRÁFICO:

Sem dúvida, para mim, o melhor do filme são os cartazes. Todos os que vi até agora são ótimos, perfeitos! Vale uma olhada cuidadosa para quem gosta de design. Com certeza eles refletem o que o filme deveria ser e não consegue. Tem força, suspense, incomodam e ao mesmo tempo são extremamente equilibrados visualmente. São simétricos. Observem os 3 cartazes abaixo, o meu preferido é o primeiro, com a sombra vermelha. Bem não vou falar muito sobre eles porque pretendo colocar este cartaz na enquete da minha próxima análise de cartaz. Realmente para mim o melhor deste filme esta na obra de um designer gráfico: o cartaz! (para quem não conhece meu trabalho de leitura de cartazes de filmes é so clicar aqui

Escrito por Márcia Okida em julho 2008




PRÓXIMO ENCONTRO: dia 8 de novembro - 18h30 - Cine Roxy - Santos - Participe!
CINESURPRESA: um encontro - uma surpresa - um filme - uma conversa

Como são dadas as opiniões?

Quer saber como os participantes dão suas opiniões? Como são os papos depois do filme?clique aqui
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PARA SE JUNTAR A NÓS todo 2º domingo do mês você pode se encontrar com a gente da Associação Cultural Vontade de Ver e assistir um filme escolhido na hora (daí o nome cinesurpresa) em um dos cinemas de Santos. Depois, sempre rola uma pizza, um bom papo e tudo isso vem para cá. Encontre-se com a gente em um destes domingos e esteja aqui no nosso blog no próximo mês! Verifique o horário e o cinema do mês no link clicando aqui e, se quiser, Deixe uma mensagem
COMEMORAÇÃO DO 1º ANIVERSÁRIO DO CINESURPRESA, leia sobre este nosso encontro no texto sobre o filme Depois da Vida clicando aqui

para ver

Slide Show Era do Gelo 3

Slide Show A Mulher Invisível

para ouvir

Leia nosso blog ouvindo a TRILHA SONORA DE OS DESAFINADOS

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ranking surpresa

1º lugar: 10,0 - Wall-e

2º lugar: 9,6 - Persépolis

3º lugar: 9,0 - A Duquesa

4º lugar: 9,0 - Tropa de Elite e Ultimato Bourne

5º lugar: 8,9 - StarTrek

6º lugar: 8,8 - A Troca

7º lugar: 8,6 - Era do gelo 3, Piaf e MILK

8º lugar - 8,3 - Meu Nome não é Johnny

9º lugar: 8,2 - Depois da Vida

10º lugar: 8,1 - Mulher Invisível

11º lugar: 7,8 - Chega de Saudade e HairSpray

12º lugar: 7,5 - Onde os Fracos não tem Vez

13º lugar: 7,4 - Os Desafinados

14º lugar: 7,2 - Jogos do Poder

15º lugar: 7,0 - Duro de Matar

16º lugar: 6,8 - 007 Quantum os Solace

17º lugar: 6,4 - Fim dos Tempos

18º lugar: 6,3 - Foi Apenas um Sonho

19º lugar: 5,6 - A Guerra dos Rocha

Conheça a gente

Madeleine Alves

Márcia Okida

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