Em tempos de Oscar 2009 o nosso 18º CINESURPRESA foi no Cinemark e o filme escolhido pela maioria foi “Foi Apenas um Sonho”, tradução, na minha opinião, totalmente equivocada do nome verdadeiro “Revolutionary Road”. Tivemos 12 pessoas presentes: André Leite, Cristina Silveira, Deborah Okida, Durval Moreto, Eduardo Ricci, Fabio Machado, Glauce Guimarães, Izabela Freitas, Jessica Moraes, Priscila Rodrigues, Ricardo Reis e eu Márcia Okida. Entre todos nós, 4 pessoas não gostaram do filme e 8 gostaram. 5 não veriam o filme novamente; 2 falaram que talvez e 5 veriam novamente. A média de nota foi de 6,3 colocando “Foi Apenas um Sonho” em 16º lugar no nosso ranking surpresa (veja ao lado), ganhando apenas de Guerra dos Rocha com nota média de 5,6.
O principal erro de “Foi Apenas um Sonho”, na minha opinião, começa com a má escolha do nome para o Brasil. Este nome faz com que o público espere uma história de amor ou um bom romance, principalmente tendo como protagonistas o casal romântico de Titanic: Kate Winslet e Leonardo DiCaprio. “Revolutionary Road” tem uma proximidade muito maior com o tema do filme: uma análise crítica do melhor estilo “american way of life” e a crua e dura realidade em cima da vida de um casal que ao se mudarem para uma casa na Revolutionary Road resolvem mudar o rumo de suas vidas indo por um caminho mais idealista e que choca a sociedade em sua volta. Esta revolução na vida amorosa e familiar seria uma aventura, uma fuga, uma busca pelos seus ideais, um retorno ao passado ou apenas um sonho? (a proximidade com o nome nacional fica por aí)
É disso que o filme trata mas, de uma maneira, a meu ver lenta e cheia de buracos no roteiro. Cenas curtas demais e que mereciam ser maiores e outras infindáveis que poderiam ter metade da sua duração. Um exemplo: a cena em que os dois se conhecem dura, acho que cerca de 1 minuto. Possui uma bela fotografia e uma semelhança com o primeiro longa do seu diretor Sam Mendes, Beleza Americana. Mas nem chega perto da beleza e perfeição de seu primeiro filme. Achei extremamente lento e previsível, estou entre as 4 pessoas que não gostaram e não veria novamente.
O melhor do filme para
André: a interpretação de Kate Winslet • Cristina: as atuações do casal principal em seus diálogos ora densos, ora românticos. • Deborah: ambientação da época • Durval: a corretora de imóveis, com sua dissimulação e caracterização do personagem • Eduardo: a interpretação de Kate Winslet • Fabio: bons personagens e diálogos, questionamentos interessantes sobre escolhas e relacionamentos • Glauce: a morte da April, boa solução • Izabela: os atores • Jéssica: a atuação e emoção do casal protagonista (Kate Winslet e Leonardo DiCaprio) • Priscila: figurino, trilha sonora e atuação de Kate Winslet e Leonardo DiCaprio e também de Michael Shannon • Ricardo: a cenografia da casa de April (Kate Winslet).
O pior no filme
André: o sumiço repentino dos filhos do casal • Cristina: o final, a cena de um personagem apático • Deborah: algumas situações ficaram meio soltas, as vezes não parecia que eles tinham filhos, pois as crianças sumiam • Durval: um filme com personagens não resolvidos, as crianças, o que pensam dos pais? • Eduardo: a falta de inovação de Sam Mendes, na linguagem • Fabio: a história poderia ser melhor estruturada, os filhos dos personagens têm importância mínima na história • Glauce: o vizinho levar a esposa do outro vizinho para casa, essa troca foi péssima • Izabela: Algumas vezes se torna um pouco cansativo • Jéssica: cenas paradas e descartáveis • Priscila: angustiante • Ricardo: o texto.
Bem eu acho que já falei o que achei de bom ou ruim mas só para reforçar: o filme tem uma boa direção de arte, fotografia e trilha sonora. Na minha opinião são as únicas coisas boas do filme. Personagens e histórias mal resolvidos, o único personagem bem resolvido na trama é justamente o “neurótico, louco” da história: Michael Shannon que em poucas cenas “fala” mais sobre o tema do filme do que todos os outros personagens.
Se identificou com algum personagem?
André: com John, Michael Shannon, o filho da corretora, por dizer a verdade nua e crua. Gostaria de ser assim • Durval: com April, um personagem que conclui o filme e pontua com sua intensidade • Fabio: com o louco da história, Michael Shannon, por ser o único que percebe a loucura da nossa sociedade • Izabela: um pouco com cada um dos 3 (Michael Shannon, Kate Winslet, Leonardo DiCaprio) • Jéssica: com o maluco, Michael Shannon, porque ele deu um pouco mais de emoção ao filme • Cristina, Deborah, Eduardo, Glauce, Priscila, Ricardo: nenhum.
Em homenagem ao Cineme-se 2009 que tem como tema o Figurino: Qual figurino você mais gostou.
André: nenhum, padrão demais • Cristina: figurino bem caracterizado e que mostram a bela forma de Kate e elegância de Leo • Deborah: da colega de trabalho de Frank (Leonardo DiCaprio), era discreto mas também sedutor • Durval: da April, muito bonito com traços e tecidos que a valorizavam • Glauce: April, Kate, roupas claras e vestidos simples • Izabela: Na verdade, não gostei muito do figurino do filme. • Priscila: April, Kate • Ricardo: April, pela elegância • Eduardo, Fabio, Jéssica: nenhum em especial.
Não me identifiquei com ninguém, mas o personagem que mais me cativou foi o de Michael Shannon (John), o neurótico bipolar mais consciente do filme. Quanto ao figurino já falei sobre a direção de arte que foi impecável e isso vale para figurino, todo bem feitos e característicos da época e do “american way of life”.
Uma cena do filme
André: a cena final com o marido da corretora diminuindo o volume de seu aparelho auricular • Cristina: a cena em que decidem juntos mudar para Paris • Deborah: a cena do bosque em que ele a deixa sozinha para pensar • Durval: a cena em que o filho da corretora aparece pela 1ª vez. Uma cena teatral • Eduardo: a morte dela • Fabio: após a discussão dos personagens, quando a casa e os personagens ficam no escuro, e a cena final, com o velhinho abaixando o volume do aparelho de surdez • Glauce: a café da manhã preparado pela April e as cenas em que “o maluco” diz umas verdades para o casal • Izabela: A cena que ele encontra o negócio de abortar e a briga dos dois por isso. • Jéssica: da discussão entre o John com os seus pais e o casal jantando • Priscila: a cena do velhinho desligando a aparelho, a forma como foi conduzida • Ricardo: a cena em que April olha da janela, o que acabou de fazer, o aborto. Um olhar marcante que diz tudo.
Uma frase sobre o filme
André: relacionamentos podem ser cruéis, quando não dividem as mesmas fantasias.
Cristina: “procurar pelo em ovo”.
Deborah: uma frase “do” filme: “Eu só sei o que estou sentindo”. Sobre o filme: procurou mostrar os encontros e desencontros dos sonhos de duas pessoas. A felicidade está “em nós” e não fora.
Durval: “Não existe lugar para mim aqui” April, no bar.
Eduardo: a classe média em autodestruição.
Fabio: de perto, ninguém é normal.
Glauce: ótima atuação de Kate Winslet.
Izabela: a felicidade é de dentro pra fora.
Jéssica: um show de atuação dos protagonistas apenas, uma boa história que não rendeu.
Priscila: não se deixar levar pelo marasmo, não estagnar.
Ricardo: redemoinho de emoções frustradas e desconexas.
Fico com algumas frases acima que realmente acredito que possuem o espírito do filme: “relacionamentos podem ser cruéis, quando não dividem as mesmas fantasias” (andré leite); e duas frases do filme que citaram acima: “Eu só sei o que estou sentindo” e “Não existe lugar para mim aqui” que tem uma relação direta na minha cena do filme, bem do início, que é a cena do encontro de April (Kate Winslet) e Frank (Leonardo DiCaprio) uma cena que durou muito pouco mas que, para mim, deixou claro a personalidade de cada um deles, a trajetória complicada do casal o final trágico de April.
Para encerrar uma de Eugène Ionesco, patafísico, escritor e dramaturgo romeno, um dos pais do Teatro do Absurdo:
“Pensar contra a corrente do seu tempo é heróico, dizê-lo é uma loucura”
(frase que representa o melhor personagem do filme, na minha opinião, o louco, neurótico, bipolar John, Michael Shannon.)
E queremos agradecer aos nossos parceiros oficiais:
Vídeo Paradiso que dá duas locações gratuitas e a Le Quiche Doré que dá 3 vales quiches, para que a gente sorteie entre os participantes a cada edição.






























